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Wednesday, April 30, 2008

lareira

a falta do olhar em mim preenche
um espaço, que traz em si
uma dúvida.

não há ausência na falta –
ele disse lá atrás e eu confirmo:
ela é cheia de conteúdos que
exaltam o vazio decrescente
de um conhecimento inato.

o frio já chegou, o quente
do quarto ainda existe
pra provar que na falta existe aconchego.

de dentro pra fora as faltas
vão ocupando um espaço
inverso àquele que um dia foi a origem
do receio de ir.

da janela inclinada é possível ver
que amanhã pode fazer um lindo
novo dia.

Tuesday, March 18, 2008

Não-diário roubado

15 de janeiro

o cavalo marinho me olha dormir
e é com ele que eu sonho.

18 de março

três meses de sonhos
e sonos.

Wednesday, January 02, 2008

Não-diário roubado

1 de novembro

a sala de espera
me ensina
a doce loucura
da espera ativa
na luz encantadora
dos olhos passados.

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dance, magritte, dance
que eu olho com os grandes
que tenho, curiosos,
lembro de você na parede
com a luz novaiorquina
tão rica de lembranças
e suspiros.
agora é aqui,
tua cópia é original
pra mim.



30 de dezembro

O não-diário quase que caiu em desuso
na cidade cinza.
Não há entradas,
só saídas.

A maior saída é ela.

O não-diário retroativo

Pode-se escrever diário
Apenas de memória
Com a lembrança dos dias
Em silêncio?

Se sim:

19 de dezembro

suas palavras de ontem
se fazem presentes e reais
um presente
de Natal
sem fita
com laço.

20 de dezembro

Rumo a um desconhecido
estar em mim.
Doce novidade,
cheia de medos
e vozes efêmeras.

25 de dezembro

a saudade comprova a certeza do que eu quero

30 de dezembro

O ano se despede de mim
com um sorriso sacana
“Pensou que sabia tudo, é?”
Não sei de nada, 2007.
Avisa pro seu amigo 2008
que esse ritmo do fim de ano
foi ótimo
e que surpresas são bem-vindas desde janeiro.
Não deixe pra dezembro, 2008,
por favor.

Obrigada,
L.

Thursday, October 04, 2007

Não-diário roubado

15 de janeiro
Aquela dorzinha habitual passou de hábito a vício, necessidade, fundamento. Me acalma e me salva de todo o resto.
(menos dela própria)

6 de março
da rede eu te vejo passar
deixo a bola cair
e sorrio pro vento
quando você chegar no dois irmãos
eu vou fazer um ponto
em sua homenagem
e fantasiar que um dia eu consiga
fazê-lo na sua frente
na minha rede
nossa.

6 de março (pensando em amanhã)
amanhã vou fazer o ponto
na sua frente.

mas como saberei que é você?

5 de maio
tudo sempre parece que vai dar certo
às nove da manhã de um dia qualquer.

8 de maio
e não é que você tinha razão?

24 de junho
já é inverno e as folhas amarelas do outono enfeitam o chão.
ziguezague veloz na bicicleta vermelha pra não atropelar a única prova da troca de estação.
aqui sempre parece verão.

5 de julho
Ele disse que o momento da vida é bem diferente da vida naquele momento.
Ela disse alguma coisa que eu traduzi. Mas traduzi pra própria língua dela.
"An ordinary man who climbs a tree and becomes an extraordinary guru."

Thursday, September 20, 2007

em 21/08

O diário não é mais escrito, as crianças louras cresceram e deixaram de ser louras, o mirante da Gávea foi desativado. Mas a noite continua longa e Cecilia mantém sua piedosa lírica.