"I wondered if a memory is something you have or something you've lost."
(em "A Outra", de Woody Allen, 1988)
Showing posts with label citações. Show all posts
Showing posts with label citações. Show all posts
Thursday, January 29, 2009
Thursday, November 27, 2008
jeitinho
"It pained him tremendously that their wedding night was not simple, when their love was so obvious"
em On Chesil Beach, de Ian McEwan
em On Chesil Beach, de Ian McEwan
Friday, July 25, 2008
Wednesday, July 23, 2008
O restante
"Estava consciente de que, ‘quanto tudo tiver sido dito, tudo ficará por dizer, sempre restará tudo a dizer‘ - em outras palavras, é o dizer que importa, não o dito -, isso que eu tinha escrito me interessa muito menos do que aquilo que poderia vir a escrever em seguida. Acho que isso é verdade para todo escrevedor/escritor."
de André Gorz, em "Carta a D."
de André Gorz, em "Carta a D."
Tuesday, July 22, 2008
Revelação
"Somos mortais porque vivemos no passado e no futuro – porque lembramos um tempo em que não existíamos e antevemos um tempo em que estaremos mortos. Aqueles versos chegaram a mim através de sua música. Eu pensava que a linguagem fosse um modo de dizer as coisas, de externar queixas, de dizer que se estava feliz ou triste etc. Mas quando escutei aqueles versos (e os continuo estudando, em certo sentido, desde então), soube que a linguagem podia também ser música e paixão. E assim me foi revelada."
(Jorge Luis Borges, em "Esse ofício do verso")
(Jorge Luis Borges, em "Esse ofício do verso")
Wednesday, July 09, 2008
Lição: silêncio
"Mantinha os olhos fixos nos lábios de Hervé Joncour, como se fossem as últimas linhas de uma carta de adeus."
(de Alessandro Baricco, em Seda)
(de Alessandro Baricco, em Seda)
Wednesday, April 30, 2008
Fala entupida
You speak a language that I understand not.
"The Winter's Tale", de William Shakespeare.
"The Winter's Tale", de William Shakespeare.
Tuesday, April 29, 2008
Sala Vazia
A mobília de mogno perpetua
entre a indecisão do brocado
sua tertúlia de sempre.
Os daguerreótipos
mentem sua falsa proximidade
de tempo detido em um espelho
e se perdem perante nosso exame
como datas inúteis
de esmaecidos aniversários.
Há muito tempo
suas vozes aflitas nos procuram
e agora existem apenas
nas primeiras manhãs de nossa infância.
A luz do dia de hoje
exalta os vidros da janela
ao vir da rua de clamor e vertigem
e confina e apaga a tênue voz
dos antepassados.
de Jorge Luis Borges
entre a indecisão do brocado
sua tertúlia de sempre.
Os daguerreótipos
mentem sua falsa proximidade
de tempo detido em um espelho
e se perdem perante nosso exame
como datas inúteis
de esmaecidos aniversários.
Há muito tempo
suas vozes aflitas nos procuram
e agora existem apenas
nas primeiras manhãs de nossa infância.
A luz do dia de hoje
exalta os vidros da janela
ao vir da rua de clamor e vertigem
e confina e apaga a tênue voz
dos antepassados.
de Jorge Luis Borges
Monday, April 14, 2008
a questão
“Yet we cannot live our daily lives in a realm of pure ideas, cocooned from sense-experience. The question is not, How can we keep the imagination pure, protected from the onslaughts of reality? The question has to be, Can we find a way for the two to coexist?”
DISGRACE, de J.M. Coetzee
DISGRACE, de J.M. Coetzee
Thursday, April 10, 2008
de verdade
"After six months or so she gave in and married him without reciprocating love but devotedly, honestly, determined to give her full share and try hard to give even more. They were both capable of compassion and gentleness. When they made love they no longer hurt each other but strove to be attentive and generous. Teaching and learning. Getting close. Not pretending."
TO KNOW A WOMAN, de Amós Oz
TO KNOW A WOMAN, de Amós Oz
Wednesday, January 16, 2008
Clichê
Ela era um clichê. Enquanto ouvia a Primavera de Vivaldi e encenava mentalmente um longo plano-sequência em que estalava os dedos, em frente ao laptop, e os mexia como um pianista e suas articulações. Que grande idéia precisa vir, que grande texto sairá dessas pontas de dedos com unhas escuras decadentemente descascadas. Esse seria o subtexto. Mas o texto seria outro.
“O que fazer quando se tem vontade mas não se tem idéia?”
Há muito mais idéias em mim do que mim nas minhas idéias, ela pensaria se deixasse espaço para trocas despreocupadas de pronomes oblíquos por pessoais. Fazia tempo que não usava esses termos. Talvez nem lembrasse mais deles. Talvez estivessem errados.
O clichê se manifesta de diversas formas mas o mais claro, para ela, é a falta de foco. Se fosse mais corajosa, tomaria uma dose de whiskie ainda vestindo a camisola de florzinha que ganhou da avó no Natal. Pegaria um cigarro de filtro amarelo e se sentiria uma prima distante de Byron. Uma prima tropical, que sonha com grandes gestos românticos, com a morte na juventude, com a fama póstuma. Mas já é tarde. Já é velha pra morrer cedo.
Vivaldi fica em segundo plano no momento em que os carros buzinam na rua e ela vai até a janela olhar o que acontece. Um engarrafamento. Um simples engarrafamento acontece na porta de seu prédio, a partir de uma moça de carro azul metálico que tenta fazer uma baliza e impede que os outros carros passem no sinal verde. O sinal fecha. Os carros buzinam, demonstram irritação os motoristas. Vivaldi aumenta o volume – não literalmente, é claro. O adágio do começo do parágrafo acaba e agora um andante passa a ser ouvido até pelas buzinas. Há todo um descontrole. Buzina em forma de corneta, parece.
Há corneta em Vivaldi? Violinos, há. Aos montes, as cordas acordam e gritam a resposta. Bobinha, nem sabe nada de música e fica tentando classificar o tom da buzina.
A camisola florida sai da janela, e acende um cigarro fictício que só existe no plano-sequência. Na realidade não entra cigarro no quarto. Odeia o cheiro de cigarro dentro de um lugar fechado. Acha chato pensar isso, muda de assunto porque o fluxo do pensamento é seu e nada pode interferir a sua vontade de ser interessante. O copo de whiskie já esvaziou, porque houve um corte e o plano-sequência acabou. Uma série de pequenos planos próximos, bem fechados, mostram suas unhas descascadas e a fumaça de cigarro em cima do teclado branco já muito sujo. Contra-baixo marca a montagem. Uma nota, um corte. Uma nota, um corte. Planos rápidos, clima montado. É facil criar clima através da montagem, ela sempre diz.
Tenta acompanhar o ritmo da música nas pontas dos dedos nas teclas com letras que imagina serem notas musicais. Palavras são notas, são música nos ouvidos dela, porque escrever é também ouvir. Ouve-se a sua própria voz lendo as palavras que inventa, ao mesmo tempo em que elas são inventadas. Como se a mente soprasse pros dedos as palavras, sussurrasse no pé do ouvido dos dedos, como se revelasse uma senha secreta, piano. Piano entra.
Há uma ruptura na peça. Ou no arquivo digital em que a peça está inserida e um silêncio toma conta do quarto.
Comove-se com o silêncio.
Em todos os níveis, sempre. O silêncio é uma pausa que a ensurdece porque nele cabe tudo e não cabe nada. Há sempre espaço faltando e espaço sobrando no silêncio. Há sempre uma promessa que está por vir. Há sempre uma decepção. O silêncio a acompanha no ritmo dos seus dedos. O silêncio é dela. Estala os dedos, sem pressa, ajeita a camisola, coça o olho direito que está ressecado por causa da fumaça do cigarro aceso dentro do quarto fechado. Há uma vocação para a depressão que a deixa irritada. Gosta de um drama, de uma cena. O silêncio privilegia o drama. Na comédia é preciso que haja a risada, senão fica sem saber se está agradando o público. O silêncio no drama é aplauso. É aprovação. Tosses, pigarros e ruídos de cadeiras velhas são a glória para o drama. Desconforto. Silêncio e desconforto. Não entende porque pensa agora em teatro. Foi parar no teatro a partir de quê, mesmo? Não compreende como chegou ali. Antes, quando pensava em silêncio, vinha a imagem de uma biblioteca imensa, cheia de estantes de madeira escura, coberta de edições encadernadas de belos livros antigos. Daqueles com letrinhas douradas na lombada. Aqueles que a gente chama de livro. Quando pensa em livro, na palavra livro, no objeto livro, pensa nessas lombadas. Há uma magnitude diferente. Livro é aquilo. Os romances que lê todos os dias são outra coisa, são desapegados da mítica dos livros, são meros produtos de perfumaria intelectual.
Tosse. Tosse três vezes. Desconforto ou excesso de fumo fictício?
O primeiro “tosse” era substantivo. O segundo, verbo. Deu pra entender? Quis deixar o duplo sentido. Será uma repetição do substantivo ou terá sido uma elipse de pessoa? Poderia dizer “ela tosse”. Mas prefere assim, porque a música a deixou confusa por uns instantes e a porta se abriu e deu pra ouvir o Jornal Hoje na televisão da sala. E a tosse parou, talvez por causa do susto, como um soluço.
“É o meu primeiro romance” – a personagem falou. E foi lindo, porque é ao mesmo tempo o primeiro romance que ela escreveu, uma vez que o começou quando ainda era uma estudante de enfermagem na guerra, mas também porque foi a primeira história que construiu, a partir de uma observação equivocada sobre fatos que ocorreram num verão quando tinha onze anos. Criar uma história aos onze anos e a publicar aos setenta e sete deve ser um alívio e um horror. Se ainda fantasiasse com o plano-seqüência, não teria deixado a trilha sonora mudar como agora. E se realmente vivesse um clichê interminável, ouviria uma velha vitrola e o disco arranharia e voltaria ao adágio do momento em que o carro buzinou e ela levantou com a camisola florida.
Mas a realidade é cruel. Já acabou o Outono de Vivaldi. E a próxima faixa, a que toca agora, ao mesmo tempo em que ela ouve num volume muito baixinho as palavras sussurradas na ponta dos dedos, é Someone to Watch Over Me. Quase não as ouve mais, só parte delas, faz um grande esforço pra ouvir mas a mente está rouca, cansada, emudecida.
Silêncio. Tosse.
“O que fazer quando se tem vontade mas não se tem idéia?”
Há muito mais idéias em mim do que mim nas minhas idéias, ela pensaria se deixasse espaço para trocas despreocupadas de pronomes oblíquos por pessoais. Fazia tempo que não usava esses termos. Talvez nem lembrasse mais deles. Talvez estivessem errados.
O clichê se manifesta de diversas formas mas o mais claro, para ela, é a falta de foco. Se fosse mais corajosa, tomaria uma dose de whiskie ainda vestindo a camisola de florzinha que ganhou da avó no Natal. Pegaria um cigarro de filtro amarelo e se sentiria uma prima distante de Byron. Uma prima tropical, que sonha com grandes gestos românticos, com a morte na juventude, com a fama póstuma. Mas já é tarde. Já é velha pra morrer cedo.
Vivaldi fica em segundo plano no momento em que os carros buzinam na rua e ela vai até a janela olhar o que acontece. Um engarrafamento. Um simples engarrafamento acontece na porta de seu prédio, a partir de uma moça de carro azul metálico que tenta fazer uma baliza e impede que os outros carros passem no sinal verde. O sinal fecha. Os carros buzinam, demonstram irritação os motoristas. Vivaldi aumenta o volume – não literalmente, é claro. O adágio do começo do parágrafo acaba e agora um andante passa a ser ouvido até pelas buzinas. Há todo um descontrole. Buzina em forma de corneta, parece.
Há corneta em Vivaldi? Violinos, há. Aos montes, as cordas acordam e gritam a resposta. Bobinha, nem sabe nada de música e fica tentando classificar o tom da buzina.
A camisola florida sai da janela, e acende um cigarro fictício que só existe no plano-sequência. Na realidade não entra cigarro no quarto. Odeia o cheiro de cigarro dentro de um lugar fechado. Acha chato pensar isso, muda de assunto porque o fluxo do pensamento é seu e nada pode interferir a sua vontade de ser interessante. O copo de whiskie já esvaziou, porque houve um corte e o plano-sequência acabou. Uma série de pequenos planos próximos, bem fechados, mostram suas unhas descascadas e a fumaça de cigarro em cima do teclado branco já muito sujo. Contra-baixo marca a montagem. Uma nota, um corte. Uma nota, um corte. Planos rápidos, clima montado. É facil criar clima através da montagem, ela sempre diz.
Tenta acompanhar o ritmo da música nas pontas dos dedos nas teclas com letras que imagina serem notas musicais. Palavras são notas, são música nos ouvidos dela, porque escrever é também ouvir. Ouve-se a sua própria voz lendo as palavras que inventa, ao mesmo tempo em que elas são inventadas. Como se a mente soprasse pros dedos as palavras, sussurrasse no pé do ouvido dos dedos, como se revelasse uma senha secreta, piano. Piano entra.
Há uma ruptura na peça. Ou no arquivo digital em que a peça está inserida e um silêncio toma conta do quarto.
Comove-se com o silêncio.
Em todos os níveis, sempre. O silêncio é uma pausa que a ensurdece porque nele cabe tudo e não cabe nada. Há sempre espaço faltando e espaço sobrando no silêncio. Há sempre uma promessa que está por vir. Há sempre uma decepção. O silêncio a acompanha no ritmo dos seus dedos. O silêncio é dela. Estala os dedos, sem pressa, ajeita a camisola, coça o olho direito que está ressecado por causa da fumaça do cigarro aceso dentro do quarto fechado. Há uma vocação para a depressão que a deixa irritada. Gosta de um drama, de uma cena. O silêncio privilegia o drama. Na comédia é preciso que haja a risada, senão fica sem saber se está agradando o público. O silêncio no drama é aplauso. É aprovação. Tosses, pigarros e ruídos de cadeiras velhas são a glória para o drama. Desconforto. Silêncio e desconforto. Não entende porque pensa agora em teatro. Foi parar no teatro a partir de quê, mesmo? Não compreende como chegou ali. Antes, quando pensava em silêncio, vinha a imagem de uma biblioteca imensa, cheia de estantes de madeira escura, coberta de edições encadernadas de belos livros antigos. Daqueles com letrinhas douradas na lombada. Aqueles que a gente chama de livro. Quando pensa em livro, na palavra livro, no objeto livro, pensa nessas lombadas. Há uma magnitude diferente. Livro é aquilo. Os romances que lê todos os dias são outra coisa, são desapegados da mítica dos livros, são meros produtos de perfumaria intelectual.
Tosse. Tosse três vezes. Desconforto ou excesso de fumo fictício?
O primeiro “tosse” era substantivo. O segundo, verbo. Deu pra entender? Quis deixar o duplo sentido. Será uma repetição do substantivo ou terá sido uma elipse de pessoa? Poderia dizer “ela tosse”. Mas prefere assim, porque a música a deixou confusa por uns instantes e a porta se abriu e deu pra ouvir o Jornal Hoje na televisão da sala. E a tosse parou, talvez por causa do susto, como um soluço.
“É o meu primeiro romance” – a personagem falou. E foi lindo, porque é ao mesmo tempo o primeiro romance que ela escreveu, uma vez que o começou quando ainda era uma estudante de enfermagem na guerra, mas também porque foi a primeira história que construiu, a partir de uma observação equivocada sobre fatos que ocorreram num verão quando tinha onze anos. Criar uma história aos onze anos e a publicar aos setenta e sete deve ser um alívio e um horror. Se ainda fantasiasse com o plano-seqüência, não teria deixado a trilha sonora mudar como agora. E se realmente vivesse um clichê interminável, ouviria uma velha vitrola e o disco arranharia e voltaria ao adágio do momento em que o carro buzinou e ela levantou com a camisola florida.
Mas a realidade é cruel. Já acabou o Outono de Vivaldi. E a próxima faixa, a que toca agora, ao mesmo tempo em que ela ouve num volume muito baixinho as palavras sussurradas na ponta dos dedos, é Someone to Watch Over Me. Quase não as ouve mais, só parte delas, faz um grande esforço pra ouvir mas a mente está rouca, cansada, emudecida.
Silêncio. Tosse.
Labels:
carioquice,
citações,
dicionário,
espelho,
música,
película,
silêncio
Monday, December 17, 2007
Noite Carioca
Diálogo de surdos, não: amistoso no frio.
Atravanco na contramão. Suspiros no
contrafluxo. Te apresento a mulher mais discreta
do mundo: essa que não tem nenhum segredo.
Ana C.
Atravanco na contramão. Suspiros no
contrafluxo. Te apresento a mulher mais discreta
do mundo: essa que não tem nenhum segredo.
Ana C.
Sunday, November 18, 2007
Tuesday, October 30, 2007
Friday, October 05, 2007
Thursday, October 04, 2007
Não-diário roubado
15 de janeiro
Aquela dorzinha habitual passou de hábito a vício, necessidade, fundamento. Me acalma e me salva de todo o resto.
(menos dela própria)
6 de março
da rede eu te vejo passar
deixo a bola cair
e sorrio pro vento
quando você chegar no dois irmãos
eu vou fazer um ponto
em sua homenagem
e fantasiar que um dia eu consiga
fazê-lo na sua frente
na minha rede
nossa.
6 de março (pensando em amanhã)
amanhã vou fazer o ponto
na sua frente.
mas como saberei que é você?
5 de maio
tudo sempre parece que vai dar certo
às nove da manhã de um dia qualquer.
8 de maio
e não é que você tinha razão?
24 de junho
já é inverno e as folhas amarelas do outono enfeitam o chão.
ziguezague veloz na bicicleta vermelha pra não atropelar a única prova da troca de estação.
aqui sempre parece verão.
5 de julho
Ele disse que o momento da vida é bem diferente da vida naquele momento.
Ela disse alguma coisa que eu traduzi. Mas traduzi pra própria língua dela.
"An ordinary man who climbs a tree and becomes an extraordinary guru."
Aquela dorzinha habitual passou de hábito a vício, necessidade, fundamento. Me acalma e me salva de todo o resto.
(menos dela própria)
6 de março
da rede eu te vejo passar
deixo a bola cair
e sorrio pro vento
quando você chegar no dois irmãos
eu vou fazer um ponto
em sua homenagem
e fantasiar que um dia eu consiga
fazê-lo na sua frente
na minha rede
nossa.
6 de março (pensando em amanhã)
amanhã vou fazer o ponto
na sua frente.
mas como saberei que é você?
5 de maio
tudo sempre parece que vai dar certo
às nove da manhã de um dia qualquer.
8 de maio
e não é que você tinha razão?
24 de junho
já é inverno e as folhas amarelas do outono enfeitam o chão.
ziguezague veloz na bicicleta vermelha pra não atropelar a única prova da troca de estação.
aqui sempre parece verão.
5 de julho
Ele disse que o momento da vida é bem diferente da vida naquele momento.
Ela disse alguma coisa que eu traduzi. Mas traduzi pra própria língua dela.
"An ordinary man who climbs a tree and becomes an extraordinary guru."
Friday, September 28, 2007
Wednesday, September 26, 2007
Rascunho
Querida V.
Escrevi um email pra você mais cedo, mas acho que você ainda não leu - uma vez que não respondeu. Então escrevo pra complementá-lo com algumas outras sensações que me vieram durante o dia, enquanto eu digeria as idéias da nossa conversa de ontem. Toda a ironia que existiu na noite de ontem me fez rir muito. Que volta a vida deu em torno dela mesma. E transformou as novas pessoas em pessoas antigas com novos penteados. Riu de mim, o meu destino. Quantos planos eu fiz sobre viver novidades, sobre meu presente-futuro; e daí o passado vem e me surpreende. Mas tudo bem, no fundo achei engraçado e pude me divertir às custas de minha própria frustação neste momento. Hoje há mais motivos pra rir e eu te escrevo com a melhor das intenções otimistas: quero mesmo é dizer que eu sinto muito a sua falta, mas que eu vivo tranqüilamente com a sua ausência. Vou pegar a ausência pra mim, de presente, pra segurar no escuro e sentir você perto de mim, inspirada em C.D.A. Como é bom contar com a poesia nesses momentos, não é? Em todos os momentos, aliás, que besteira achar que é só agora que ela importa. Sempre importa, sempre importou. Importará.
Não precisa responder o email, só ter escrito já me fez bem.
Beijos com saudade assimilada
L.
Escrevi um email pra você mais cedo, mas acho que você ainda não leu - uma vez que não respondeu. Então escrevo pra complementá-lo com algumas outras sensações que me vieram durante o dia, enquanto eu digeria as idéias da nossa conversa de ontem. Toda a ironia que existiu na noite de ontem me fez rir muito. Que volta a vida deu em torno dela mesma. E transformou as novas pessoas em pessoas antigas com novos penteados. Riu de mim, o meu destino. Quantos planos eu fiz sobre viver novidades, sobre meu presente-futuro; e daí o passado vem e me surpreende. Mas tudo bem, no fundo achei engraçado e pude me divertir às custas de minha própria frustação neste momento. Hoje há mais motivos pra rir e eu te escrevo com a melhor das intenções otimistas: quero mesmo é dizer que eu sinto muito a sua falta, mas que eu vivo tranqüilamente com a sua ausência. Vou pegar a ausência pra mim, de presente, pra segurar no escuro e sentir você perto de mim, inspirada em C.D.A. Como é bom contar com a poesia nesses momentos, não é? Em todos os momentos, aliás, que besteira achar que é só agora que ela importa. Sempre importa, sempre importou. Importará.
Não precisa responder o email, só ter escrito já me fez bem.
Beijos com saudade assimilada
L.
Thursday, September 20, 2007
em 21/08
O diário não é mais escrito, as crianças louras cresceram e deixaram de ser louras, o mirante da Gávea foi desativado. Mas a noite continua longa e Cecilia mantém sua piedosa lírica.
Labels:
carioquice,
citações,
espelho,
não-diário,
silêncio,
sp,
tempo
Sunday, August 05, 2007
Dia
Cheia de domingos-domingo, ela ouve Tom Waits enquanto tenta estabelecer sentido nas palavras. Sente-se incompleta. O piano marca mas é o contra-baixo que a leva até ele. Procura a saída do sonho que construiu- como a moça cantou, antes de revelar o cansaço de limpar a sujeira dele. A fumaça fechada no bar já matou as flores há muito tempo mas ela ainda pergunta se o seu fim estaria mesmo próximo, naquelas cortinas de veludo vermelho cheias de histórias veladas que esperam para velar a dela também. Talvez já tenha acabado, uma vez que o passado não a assusta; é parte integrante dela, assim como a última palavra que escreveu. O ponto final ainda é futuro, ela sente como se tivesse uma última certeza. Quando os domingos-domingo passarem, quando ela se curar de sua depressão dominical aguda, será que continuará sentindo o grave vibrar da corda levantando-a da cama, adocicando o gosto da solidão? Domingos-domingo foram criados por ela, são seu método, sua satisfação gloriosa, sua fuga consciente ao interior das palavras perdidas, das emoções imprecisas, da inconseqüente fragmentação estabelecida como fundamento. Não há mágica, golpe de mestre, macumba, esquema, jeitinho. Não há segunda-feira que resista à ausência de domingos-domingo.
Subscribe to:
Posts (Atom)